Superliga - Super o que?
A Superliga é a liga profissional de voleibol no Brasil. Ainda que seja um campeonato nacional, os 12 times jogando as versões masculina e feminina da Superliga em 2012 são provenientes apenas dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná.
Considerando que o Brasil abrigará as Olimpíadas de 2016, seria natural vermos, na altura do campeonato, ginásios cada vez mais modernos e preparados para receberem o público e principalmente as jogadoras e os jogadores que na última década tornaram o voleibol brasileiro uma das maiores potências mundiais. No entanto, para quem acompanha a Superliga in loco ou via televisão, as péssimas condições de boa parte dos ginásios são um dos aspectos que facilmente podem saltar aos olhos.
Com exceção de poucos ginásios como o do Minas, do Sesi, do Maracanãnzinho (reformado) e do Ibirapuera (sendo reformado), o que se vê pela TV—além do didadisto pedântico, excessivo e repetitivo dos narradores do SportTV: A 'nova' regra da mão na rede...—e se sente ao vivo, são ginásios insuportavelmente quentes e abafados e que, ao invés de estarem sediando jogos, deveriam estar literalmente fechados para reforma, como é o caso extremo do ginásio onde joga o BMG, na cidade de Montes Claros, Minas Gerais. O jogo de anteontem entre BMG e Medley foi interrompido duas vezes devido a chuva na quadra. Não, o jogo não era vôlei de praia, era de quadra coberta. Na imagem* ao lado, fotografada pelo jogador Murilo do Sesi, vê-se o banheiro do Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves em Montes Claros, onde o BMG manda seus jogos.
Se por um lado os jogadores e jogadoras ainda não se uniram e publicamente demandaram melhores condições de trabalho, a exemplo do que fazem os jogadores da NBA, a liga de basquete americano, por outro lado, há de se cogitar onde e se os patrocinadores dos times brasileiros assistem jogos de voleibol (na Itália?) e para onde vão os repasses de dinheiro enviados para prefeituras e demais entidades que supostamente fomentam o esporte brasileiro.
Um outro aspecto não tão grave, mas que também reflete a precariedade e o amadorismo do voleibol e dos esportes de um modo geral no Brasil é a venda de ingressos para os jogos de voleibol. Não existe um ponto de referência online para compra de ingresso para cada temporada da Superliga, como fazem, com um pé nas costas, as ligas de esportes nos Estados Unidos. Sabendo que voleibol tornou-se praticamente o segundo esporte do Brasil, vê-se quão gritante é a falta de visão das entidades (clubes e federações) teoricamente encarregadas de gerir esta modalidade esportiva.
Para quem poderia ficar na defensiva diante do amadorismo acima, diria que não adianta comparar as precariedades acima com as precariedades dos demais esportes praticados no Brasil, afinal, foi mirando qualidade—o Centro de Desenvolvimento de Voleibol - Saquarema é um exemplo—que o voleibol brasileiro gradualmente conquistou status de potência mundial.
Bem-vindo ao país dos jogos olímpicos de 2016, logo ali na esquina. Bem-vindo ao Brasil.
* Fonte: https://twitter.com/#!/Murilovolei8/status/157194053342085121/photo/1/large
Update neste assunto:
28/02/2011 - Clássico do vôlei sofre com umidade do piso, recorre a ventiladores e vira alvo de piada
10/02/2011 - CBV aplica multa irrisória em Montes Claros por reincidência de goteiras no ginásio








